quinta-feira, 21 de maio de 2009

RIO DO SONO CORPO E ALMA

Pessoas queridas! Que prazer mais uma vez estar aqui com vocês! E, hoje, por uma causa muito nobre. Vou publicar abaixo um conto muito legal de um grande colaborador do nosso Clube. Edimilsom esse é seu meu querido!!!


RIO DO SONO CORPO E ALMA

“Diante da vastidão do espaço e da imensidão do tempo é uma alegria para mim, partilhar de um planeta com você.”

Há certas coisas na vida que me dão muito prazer. Uma delas é garimpar pedras preciosas, a outra é peregrinar pelo mundo em busca de conhecimentos e personagens de valor.

Aconteceu em 1994 no Rio do Sono, mais precisamente na cachoeira das almas, onde trabalhava na cata de diamantes.

Certo dia, apareceu um sujeito – chamado Léo – robusto, de corpo proporcional, olhos verdes, bom semblante, aspecto viril e altivo. Falava bem, com muita propriedade, um exímio contador de piadas, causos e estórias, de ar debochado, de gargalhadas espalhafatosas, divertia todos ali presente, sentados em cepo de pau e pedras às margens do rio ao redor de uma fogueira. Nas noites frias, enluaradas, entre uma e outra pescaria, contemplava os astros num clima naturalmente romântico, às vezes quebrando o silêncio no cântico singelo da coruja, da mosca no seu co-ro-co-xó. E da mãe da lua no seu luas-luas-luas-luas.

Havia também o Denilio. Exemplo de companheiro laborioso no trivial do dia a dia levantava bem cedo, cuidava dos animais, cachorro, gato, galinha, fazia a comida e ainda sobrava tempo para pescar. Era um curinga, pau pra toda obra, o último a dormir e primeiro a levantar.

Sempre bem disposto, na submissão que lhe era peculiar, às vezes exclamava! Trabalho muito, mas um dia hei de realizar meu sonho! E qual é o teu sonho Denilio? Respondia sem hesitar. Meu sonho é possuir um burro e uma carroça para trabalhar. Alguns riam dele, outros, porém, compreendiam. Seu sonho era do tamanho de sua simplicidade e comportava basicamente nos anseios que promovia a razão do seu viver. Dizia Pascal: “o coração tem razões que a própria razão desconhece”.

Tão desconhecido quanto esquecido num passado que desapareceu, tragado pelas águas levando consigo um sonho que nunca mais acordou. Dormiu nas águas do Rio do Sono nosso ilustre sonhador. (Denilio nós te amamos)

Entretanto, não poderíamos deixar de remar a vida e divagar sem rumo, sem direção, desvanecido da razão, a procura de amparo nos mistérios da natureza, na busca de aceitação. Foi então, que algo me chamou a atenção no comportamento de Leo. Seu passa tempo preferido - a leitura. Lia de tudo, de obras artísticas, cientificas e literárias. Como ele mesmo costumava dizer: leio até bula de remédio. Dotado de memória prodigiosa e ágil, acumula enormes conhecimentos gerais e às vezes me ensinava alguma coisa e gostava tanto. Foi pelo prazer que também passei a ler bastante. Lembro-me do primeiro livro que Leo me emprestou. Rio Araguaia de Corpo e Alma. Conta a historia dos últimos bandeirantes. Hermano Ribeiro da Silva e Francisco Brasileiro. Desbravadores do Rio Araguaia num convívio pacífico e harmonioso com as populações ribeirinhas. Autores e personagens com os quais eu muito me identifico como garimpeiro que sou.

Gostei e nunca mais parei de ler. Hoje leio de tudo e valorizo por demais criadores, escritores, intelectuais, homens de muito valor. Assim como meu amigo Leo do Peixe - figura de presença e destaque. Criador do Clube da Leitura e defensor do Velho Chico.

Devo reconhecer, através de suas façanhas, de seu espírito gregário neste universo o qual também faço parte.

Com alegria e prazer --------------------Garimpeiro.

Edimilsom Sampaio Granjeiro

3 comentários:

Adriana Menezes disse...

Eita parceria boa, o pescador e o garimpeiro juntos também nas letras. O trabalho do Léo é fundamnetal para que estes laços se estabeleçam e se consolidem em arte.
Parabéns Edmilson, é assim que se faz!

Adriana Menezes

CLUBE DA LEITURA PIRAPORA disse...

Recebemos o comentário do amigo Enéas por e-mail. Reproduzo agora aqui nesse espaço.

Caro Léo: Lida a crônica do Edimilson, gostei. Está muito viva. Ele deve ter muito que contar dos tempos de garimpeiro. Espero que o faça.
Recebi na semana passada a visita do Prof. Felipe Santos, mestre de História, mineiro morador de BH. Entre muitos assuntos, falei de você e, quando for a Pirapora, com certeza ele irá procurá-lo. Espero que tenha mais sorte que eu e o encontre.
Abraço do ENÉAS ATHANÁZIO

Unknown disse...

Por gostar tanto do Rio do Sono, acabei encontrando o Clube da Leitura de Pirapora, e isso aumentou minha saudade deste lugar! Ao ler a cronica do Edmilson, lembrei-me do amigo Léo e do Denilio!
Sou o Sérgio Horta, sobrinho do Duca!
Um abração ao amigo Léo!

Sérgio Horta.